Mais de metade das crianças de Vila Real com comportamento sedentário alarmante

Em casa e durante a semana, 60% das crianças de Vila Real têm “um comportamento sedentário alarmante”. Esta é uma das conclusões do estudo realizado pelo Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD) para diagnosticar o comportamento sedentário e a aptidão física dos alunos do 2º ciclo dos agrupamentos escolares de Vila Real.

«Os resultados revelam um comportamento sedentário muito prevalente, caracterizado essencialmente pelo tempo passado em actividades de ecrã, seja em frente à televisão, ao computador e/ou ao telemóvel. Estes comportamentos com baixo dispêndio energético tendem a causar impactos negativos em vários indicadores de saúde e, consequentemente, na qualidade de vida das crianças», explica a investigadora Sara Santos.

Se durante o recreio, a actividade física das crianças é “satisfatória”, o cenário agrava-se quando vão para casa. «Mais de 30% dos alunos não realizam qualquer tipo de actividade física fora da escola, o CIDESD recomenda que sejam incentivados a integrar uma prática estruturada como o Desporto Escolar e o Desporto Federado», afirma.

Dos 542 alunos, de ambos os sexos e com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos, o CIDESD apurou que mais de 30% tem um índice de massa corporal (IMC) acima do recomendado.

«Identificámos que as crianças que não obtiveram um IMC recomendado distribuíram-se equitativamente entre casos de excesso de peso e de magreza. Os valores de referência utilizados foram estipulados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que variam de acordo com a faixa etária e o género», refere.

O estudo do CIDESD revela, ainda, que as raparigas precisam de melhorar dois atributos da aptidão física: a agilidade e a força muscular dos membros inferiores.

Entre Outubro e Novembro de 2018, foi aplicada uma bateria de testes a 542 alunos dos agrupamentos de escolas Diogo Cão e Morgado Mateus. Durante a aula de Educação Física, a equipa do CIDESD avaliou o peso, a altura (de pé e sentado), o salto e a velocidade na mudança de direcção em corrida, através de instrumentos de alta precisão como plataformas de infravermelhos, células fotoeléctricas e balanças de bioimpedância eléctrica.

«Os dados recolhidos podem ser particularmente úteis para os professores de Educação Física e para os treinadores dos clubes desportivos entenderem melhor o processo de maturação biológica e a sua relação com a aptidão física e prontidão desportiva. Por outro lado, os resultados também ajudam os decisores políticos locais, mas sobretudo os centrais, a repensar planos de intervenção que ajudem a combater este grave problema, quanto mais não seja pelos custos incomportáveis a longo prazo para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)», conclui o director do CIDESD, Jaime Sampaio.

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